HISTÓRIA DE ITAUÇU-GO

O local onde foi instalado o povoado de Catingueiro Grande era passagem de viajantes desde o ano de 1647, quando o Bandeirante Manuel Correia fez as primeiras penetrações nessas terras. Já em 1682, quando o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva (o pai) organizou uma Bandeira rumo ao sertão brasileiro, com seu filho de 12 anos de idade, rompeu mato adentro, penetrando no interior, onde encontrou indígenas Goyazes, também passou por aqui. Já Bartolomeu Bueno da Silva (o filho) refez a expedição do pai cerca de 40 anos depois, em 1722. O Anhanguera, como ficou conhecido, conseguiu encontrar e explorar ouro pelas margens do Rio Vermelho, em 1725. O caminho ligava a sede da Capitania de Goiás ao Sul do país.

No início do século XIX intensificou a passagem de viajantes por essa região fértil e dotada de boas pastagens, além de bem servida por cursos d’água, tornou-se, ponto obrigatório e base de estacionamento de tropeiros e boiadas, em trânsito entre o sul e o centro do Estado.

Em meio a esses viajantes, o Coronel Ernesto Babtista de Magalhães, de passagem pelo local em 18 de fevereiro 1911, ficou maravilhado com a exuberância da vegetação local e resolveu então ficar por aqui; logo, adquiriu a propriedade. Regressou ao estado de Minas Gerais, ao Distrito de Roças Novas, município de Caeté-MG, somente para buscar a família e retornou a Goiás ainda no mesmo ano, respectivamente em 21 de novembro quando até 15 de dezembro já havia comprado outras glebas de terras, formando um só imóvel; local no qual levantou um rancho para sua moradia, em maio de 1912, ao lado do curral feito de varas em pé e um pasto fechado, ambos onde há tempos já existiam e serviam para fechar os animais dos viajantes. Neste mesmo local, nos dias atuais, acha-se instalada a casa de propriedade do Sr. Jose Netto do Prado, à margem direita da Rodovia GO 070, no km 60. Em sua passagem pelo estado de São Paulo, ele falou das belezas dessas terras e encorajou o casal paulista Sr. Antônio Albino e dona Alzira Clemente da Conceição, a se mudarem para essas paragens.  Tão logo se estabeleceram no local, como eram muito religiosos, construíram ainda no ano de 1913 a primeira capela, porém bastante primitiva com tamanho de 5 metros de fundo por 4 de frente, sob a invocação de Nossa Senhora da Abadia. Tal fato contribuiu muito para a origem do povoado, pois atraiu um grande número de fiéis que, motivadas pela fé, começaram a construir seus ranchos próximos a capela para facilitar o culto ao qual eram devotos. Vendo o crescente número de construções ao redor da pequena igreja, o casal Antônio Albino e Dna. Alzira Clemente da Conceição, profundamente entusiasmados com o desenvolvimento de sua idéia religiosa, fizeram a primeira doação para se construir o patrimônio. Em 02 de dezembro de 1914, eles doaram uma área de dois alqueires (9,6800 hectares) de terras tornado assim os fundadores do que seria o município de nossa querida Itauçu.

O nome para o povoado surgiu em razão do grande descampado, onde já havia sido desmatado para formação de pastagens dos animais dos viajantes, formado em capim catingueiro e com grande presença de veados catingueiro. Assim, cravaram então o nome e o povoado então passou a se denominar Catingueiro Grande.

O povoado de Catingueiro Grande durou até 31 de dezembro de 1936. Quando pela divisão administrativa do Estado, a partir de 01 de janeiro de 1937, o povoado foi elevado à condição de Distrito, passando, portanto a se denominar Cruzeiro do Sul, devido à fácil localização, em seu céu azul límpido da constelação do mesmo nome, integrou o município de Itaberaí.

Através do Decreto-Lei nº 8305, de 31 de dezembro de1943, enfim recebeu o nome de Itauçu, cuja escolha do nome, a qual tinha a missão de começar com “ITA” em homenagem a Itaberaí, entrava noite a fora quando Bernardo de Oliveira Lobo, bradou: O nome será mesmo Itauçu! Há muita controvérsia quanto a seu significado em Tupi Guarani, “pedra grande”, outras interpretações traduzem como: “pedra dura” e também, ao pé da letra, como “grande pedra preta”. De itá: pedra; u: preto, negro; e uçu: grande.

Através da Lei nº 175 de 11 de outubro de 1948, houve a emancipação política de Itauçu e a instalação do município aconteceu em 01 de janeiro 1949.

Com isso, o novo município em 01 de janeiro de 1949, passou a fazer parte da comarca de Inhumas até 10 de maio de 1953, quando através da Lei nº 702 de 14 de novembro 1952 passou à condição de comarca.

Nosso doce e afável gentílico: Itauçuense.

O Povoado de Salobro foi elevado à condição de Distrito e recebeu o nome de Araçu, através da Lei nº 14/1953, de 31 de agosto de 1953, e através da Lei estadual nº. 2106/1958, de 14 de novembro 1958, o Distrito de Araçu deixa o município de Itauçu e se torna município.

O Povoado de Ordália foi elevado à condição de Distrito através da Lei nº 869/2014, de 22 de abril de 2014.

Fonte:

RAMÓN PERES DE FREITAS

(Historiador do município)